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Rigidez do ombro

O que é?

Também chamada de Ombro congelado (Frozen Shoulder) é uma doença relativamente frequente do ombro, caracterizada por um quadro clínico de dor intensa, por vezes com piora noturna, associado a perda progressiva da amplitude de movimento (pelo menos 50% dos três principais movimentos do ombro que são: elevação anterior, rotação externa e interna) com análise radiográfica normal.

A rigidez do ombro é a doença que limita a amplitude de movimento (ADM) desta articulação. Não deve ser confundida com bloqueio articular, que por sua vez, ocorre quando a articulação é incongruente e, por este motivo, não desliza adequadamente causando diminuição da amplitude de movimento. 

Causa?

A rigidez  do ombro é causada por retração de partes moles e tem diversas etiologias. Em sua grande maioria, ela cursa não só com restrição da ADM mas com dor significativa, inclusive em repouso e constante, podendo haver piora noturna. 

A rigidez do ombro foi classificada segundo Zuckerman, em 2011:

Fluxograma de rigidez articular por Joseph D. Zuckerman, 2011.

Na grande maioria dos casos, teremos doenças secundárias, deixando somente o termo “capsulite adesiva” para situação de origem desconhecida (idiopática). Atualmente, segundo o consenso de 2016 sobre rigidez de ombro, este termo deve ser evitado por não haver relação com a causa e a descrição da doença (etiológica e fisiopatológica).

A rigidez é um processo de origem celular e acomete a cápsula articular, ligamentos ou estruturas adjacentes, dependendo da etiologia. Cursa com proliferação vascular (angiogênese), proliferação de tecido fibroso (metaplasia fibrosa) e proliferação cartilaginosa (condrogênese).

Ela evolui em etapas assim descritas:

1. Fase inflamatória - a dor é a principal característica, de forte intensidade, sem nenhuma outra causa aparente. A amplitude de movimento articular ainda é possível, mesmo que passivamente. Pode durar até 9 meses.
2. Fase de Congelamento ou Rigidez – perda progressiva do movimento, com dificuldades para realizar atividades cotidianas como abotoar o sutiã, colocar a mão na cabeça ou nas costas, alcançar objetos mais altos. A dor ainda pode estar presente nesta fase que pode durar 12-18 meses.
3. Fase de Descongelamento – o ganho do movimento é progressivo e o sucesso da fisioterapia é muito mais evidente. A dor aparece somente no final do arco de movimento.

Diagnóstico:

O diagnóstico é feito pela história clínica do seu médico especialista, exame físico completo do ombro quando a dor permitir e exames complementares. O principal exame é o radiográfico. Ele permite descartar a limitação pelo bloqueio mecânico articular da osteoartrose, por exemplo.

A Ressonância Nuclear Magnética do ombro nos acrescenta informações importantes como: processo inflamatório capsular, alterações patológicas causadoras secundárias da rigidez.

Corte coronal oblíquo em T2 "fat saturation" por Ressonância Nuclear Magnética com sinais sugestivos de rigidez do ombro: seta.

Tratamento:

Seu tratamento está relacionado com a causa. Doenças sistêmicas precisam ser controladas.  Existem diversas modalidades de tratamento a serem instituídas. Elas levam em consideração sempre o tratamento fisioterápico com ou sem hidroterapia associado às demais medidas terapêuticas:

• Medicações – analgésicos, anti-inflamatórios hormonais e não-hormonais, anti-depressivos e outras medicações para dores neuropáticas;

• Distensão hídrica capsular;

• Manipulação articular sob anestesia geral;

• Bloqueios neurológicos periféricos seriados;

• Tratamento cirúrgico artroscópico – liberação capsular, ligamentar e de aderências encontradas.

Imagem de Videoartroscopia com sinais francos de rigidez articular com importante sinovite de etiologia secundária intrínseca: lesão do manguito rotador.
Visão videoartroscópica de ombro com rigidez articular: observe as aderências formadas no recesso axilar.